segunda-feira, março 30, 2009

Morte da utopia


é o musgo das horas liquefeitas. é a muralha de minutos que inflecte a cartilagem de segundos que ainda estão por contar. O fluido salgado já seco pela alçada do tempo escorrido, derrama da sua artéria oca um febril bocejar de sal, um eco iluminado de ardor - infame veia do mal.

o que esperar dos corações? dos alvéolos, das aortas alheias? do tenebroso mistério do existir sem teias. da amarga colisão da laminal carência com a terrível inevitabilidade da ausência.

que outras mãos segurar quando todo o esqueleto se vislumbra exangue, medonho, marmóreo, morto?

qual o preço da alienação, quando tudo o que nos pareceu infinito, se escancara num filamento de peças seguidas, num estendido e ecoado grito?

quarta-feira, março 25, 2009

EfemIDemiferI


com uma pilula contraulcerativa desmancho-me numa paz dormente estonteante demente relaxante desviante do climax que se faz sentir na minha mente agora inconsciente despreocupante descrente que viaja loucamente triunfante revigorante em apoteoses de sabores e cores tremores e ardores fulgores de satisfação... dócil amarga visão cromática estática volátil quente em esquemas de fulgurantes figuras impotentes que me apertam a respiração sufoco mal disposta pretendo obter resposta a semelhante indisposição fico-me contida num canto oh miserável desencanto de um fugidio escape que num rompante seguiu caminho e de mim laboriosamente fugiu...


com uma aspiração profunda ansiosa deixo a nuvem opiácea escorregar entrar abrir percorrer o canal submeter-me amarrar-me sabotar-me queimar-me.. relaxada vou desligando novamente em paz recorrente que vai durando até quando...

quinta-feira, março 19, 2009

esquema mental de uma noite de insónia


revolvida num remoinho tortuoso, demencial - que produz ecos largados ao infinito - renovo os meus fantasmas diários. das minhas mãos rasgam-se dedos de fogo, que chicoteiam palavras quebradas, encadeadas, velozes, num turbilhão de ideias detonadas por uma corrente eléctrica explosiva aproximável da loucura frenética dos carris de um comboio despistado.

ohhh como seriam doces as horas de descanso, as horas de vigília morta, apenas abraçar aquela leveza inconfundível de um sonho...

mas os pensamentos, o desassossego, a promiscuidade das ideias entrosadas, não me libertam das correntes da vigília, e eu.. mais uma noite, permaneço acordada.