Morte da utopia
é o musgo das horas liquefeitas. é a muralha de minutos que inflecte a cartilagem de segundos que ainda estão por contar. O fluido salgado já seco pela alçada do tempo escorrido, derrama da sua artéria oca um febril bocejar de sal, um eco iluminado de ardor - infame veia do mal.
o que esperar dos corações? dos alvéolos, das aortas alheias? do tenebroso mistério do existir sem teias. da amarga colisão da laminal carência com a terrível inevitabilidade da ausência.
que outras mãos segurar quando todo o esqueleto se vislumbra exangue, medonho, marmóreo, morto?
qual o preço da alienação, quando tudo o que nos pareceu infinito, se escancara num filamento de peças seguidas, num estendido e ecoado grito?



