terça-feira, março 23, 2010

ladies night

No carmim dos teus lábios voláteis,

Na quentura dos teus seios versáteis,

Rebenta à luz uma esquálida quimera

No quente frígido da noite severa.


Caminhas em pústulas de pés descalços,

Murmuras os passos por becos incautos,

Do que falam de outiva enquanto deslizas

Em ti enegrece tanto que vigoriza.


E no degredo da noite fingida,

Expões o seio na boca tingida

Do homem anónimo que te sorve as tetas

E choras mil prantos de lágrimas secas.

segunda-feira, março 22, 2010

O ar rareia nesta clausura de pedra e vidro.

O monumento maciço escoa os aminoácidos de uma má digestão,
enquanto as secretárias permutam risinhos com as canetas que ejaculam riscos à gargalhada.

Olho este cenário, diminuída, apalpando o ar às aranhas numa busca de nada concreto até acertar na virilha do relógio digital que olha para mim com a desdita de uma anunciação vidente de moleza.

A magnificência do tédio é como um jardim amarelo, de esplendorosas árvores caquéticas, reinadas por pássaros senis moribundos, silentes e moles, que cagam por cima dos assentos de madeira aborrecidos num lento derreter de lenha.

segunda-feira, março 15, 2010

Vem com a altissonante mudez fúnebre da morte vivida em sortes de contemplação.

Recolhe a seiva dos abismos transitórios, vertida de melácicos pórticos de vida.

Dilui-se em banhos de luz, ouro e cristal, bradando a glória doirada num solilóquio cantado, como canídeos em hora de cios cozidos em lume brando.

A luz é serviçal do destino que comporta a chave de oceanos de gozo, que espuma uma mucilagem de peixes miméticos, extasiados no consolo de orgias galgadas por cavalos marinhos e confusões encapeladas de raias.