Clorofila

Imprimo as minhas raízes numa lápide de malmequeres, absorvo a seiva de nenúfares que jorra em tempestades de pólen.
A minha casca, que se vai soltando e caindo em cemitérios de sândalo, expõe a resina ao sabor das libélulas que se deixam morrer no seu visco.
Expiro ventanias mudas, agito-me num transe autístico, repetindo a minha dança enquanto solto esporos que desatam numa fuga vacilante, como um filho em idade de desmame.
Vou sorvendo o néctar barroso, à medida que os meus tentáculos se vão encapelando numa confusão de grinaldas almiscaradas, revolteando-se no bafiento manto onde se multiplicam fungos e insectos.
Contemplo a doce viridência das engrenagens de silvas, da melancólica suspensão de esqueletos caducos, da perfeição das fissuras, do colossal respirar deste pulmão de ninhos de pássaros, morte renascida no coração das folhas.
A minha casca, que se vai soltando e caindo em cemitérios de sândalo, expõe a resina ao sabor das libélulas que se deixam morrer no seu visco.
Expiro ventanias mudas, agito-me num transe autístico, repetindo a minha dança enquanto solto esporos que desatam numa fuga vacilante, como um filho em idade de desmame.
Vou sorvendo o néctar barroso, à medida que os meus tentáculos se vão encapelando numa confusão de grinaldas almiscaradas, revolteando-se no bafiento manto onde se multiplicam fungos e insectos.
Contemplo a doce viridência das engrenagens de silvas, da melancólica suspensão de esqueletos caducos, da perfeição das fissuras, do colossal respirar deste pulmão de ninhos de pássaros, morte renascida no coração das folhas.


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