
Saboreio a luz astral enquanto o retinir repicado dos pássaros irrompe pelas margens da varanda alada. Aqui, no alto do mastodonte de cimento, tacteio a existência como algo para além deste presente enfraquecido. Transporto-me num vórtex temporal tentando descobrir se o futuro, que é agora enquanto escrevo, ecoa algum contristado sentido...
O estrepitoso rugido de uma máquina interrompe o meu desvario, somente para me revelar que o mundo se conserva igual, repetido e aborrecido, com uma promessa de chuva enquanto o frio irrompe pela minha camisola demasiado fina.
Sinto pavor deste embrutecimento, desta inopinada teia, este ódio triunfal que consome o oxigénio e liberta o metano do estrume mundano.


