
ela é feita de sal, de mel, ela é feita de húmus, de fel. ela é feita de todas as partículas atómicas, de todas as estrelas mortas que ainda se vêem brilhar. ela é fogo fátuo, é confettis a esvoaçar.
ela morre e renasce, morre e renasce.
ela segura as palavras para dentro da boca de olhos esbugalhados, ela explode camélias pintadas de olhos fechados.
ela é rainha e senhora no seu pântano lodoso, desenha figuras na lama, funde o seu hálito na terra, ela é passageira da vida, das tormentas, ela circula no ar, é feita de serras, o seu chão são as carcaças das raízes musgosas, o seu tecto é o manto marmóreo das cidades perdidas, o grito estridente de ciganas vaidosas.
ela é passageira pedestre, descalça, nua. ela é húmus. ela é água, é ar. ela funde-se nas fozes, no cruzamento de ecos atrozes. ela dissolve-se no mar.


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