terça-feira, maio 19, 2009


Caminho num espaço inventado, uma quadratura de cal que me aferrolha o pensar. Escuto-te ao longe, um silvo caliginoso, um ecoar estrepitoso, uma vertigem em espiral, fruta madura, precipício do mal.

A minha dor, o meu sangue, o meu grito, por ventura atroz, por desventura canção, clamam pelo conforto seguro da minha doce solidão.

Acerco-me do abismo, contemplando o seu pélago infinito, toda a extensão aquática brumosa, hipnotizada pelo encapelamento das ondas, pela violenta fragrância espumosa.

Arremessas-me o teu sal, códice indecifrável, enquanto te olho ao sabor da marulhada, degladiamo-nos num estrondoso penar, irrepreensível impossibilidade de amar.

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