
Solto a língua da clausura sintomática, lançada pelo antiácido automedicado.
Solto estes dedos, estas velhas articulações mofentas, ergo-as aos mais elevados olimpos.
Solto a minha goela - grito animal desajeitado, semi apagado pela promiscuidade do silêncio arrastado no tempo.
Solto esta válvula enferrujada, liberto o fluido argiloso de azedo olor, que jorra numa linha espumosa de ascensão perpétua...
Solto o peito numa explosão de colibris, prismas alados, vetustas aves das cavernas que rebentam cores no anunciado contacto com a luz.
Sorvo a claridade, nesta nova fotossíntese, revivifico os meus membros adormecidos, todo o meu ser entorpecido, e como um réptil gelado que saiu da hibernação, caminho num novo trilho, saltitando, ao longo da estação.


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