segunda-feira, maio 11, 2009


Sustenho a respiração só mais um pouco.
A núvem intensifica-se, adensa-se, corrompe e corrói-me as entranhas, estende a sua letalidade a todos os canais que arranha. Ah mas o seu sabor... o seu malicioso veneno, serve-me propósitos de antídoto! Percorre lenta e intencionalmente os trilhos do meu sistema respiratório. Como o embrião de uma criança por nascer, cresce, volúpia da minha vontade, rompe, destrói a minha ansiedade, extermina a merda da minha volatibilidade...
Quero um só momento, uma só inalação. Quero apagar a sintomática ânsia de me agarrar à razão.
Quero sorver a cinza destes dias passados. Quero cuspir o futuro dos meus passos inacabados...
Observo a cortina translúcida, esbranquiçada, que se degladia em auréolos pugilistas ao sabor da luz do candeeiro. Fugaz e efémera vai desaparecendo, lenta e penosamente, num estertor ligeiro.

0 Comentários:

Enviar um comentário

Subscrever Enviar feedback [Atom]

<< Página inicial